Se você está grávida e trabalha com carteira assinada, saiba que a lei te protege! Muitas mulheres acreditam que podem ser demitidas durante a gestação ou depois que o bebê nasce, mas existe um direito especial chamado estabilidade da gestante no emprego. Este direito é garantido pela Constituição e pela CLT e serve para te dar segurança nessa fase tão importante da vida.
É fundamental entender quando e como você está protegida, quais documentos apresentar, como agir se for demitida e o que fazer para não ficar sem receber os valores que te pertencem. Neste guia, vamos responder as dúvidas mais comuns, contar exemplos do dia a dia, explicar a lei com palavras simples e te mostrar os passos práticos para defender seus direitos.
O Que é a Estabilidade da Gestante?
Estabilidade da gestante é uma proteção que impede a empresa de te demitir sem motivo grave durante a gravidez e até cinco meses depois do parto. O objetivo é garantir que a mãe e o bebê tenham tranquilidade e uma renda nessa fase delicada. Isso vale para todos os contratos: carteira assinada comum, experiência, prazo determinado ou até trabalhador temporário.
Artigo 10, inciso II, alínea “b” do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal:
“Fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.”
O que Diz a Lei? Principais Artigos e Jurisprudências
- Artigo 10, II, “b” do ADCT da Constituição Federal: Proíbe a demissão da gestante sem justa causa após a confirmação da gravidez, garantindo o emprego até cinco meses após o parto.
- Súmula 244 do TST: Permite a estabilidade mesmo se a empresa não sabia da gravidez na hora da demissão. Também vale para contratos de experiência ou de prazo determinado.
- CLT: A CLT reforça o direito à estabilidade e fala sobre licença-maternidade, consultas médicas e outras proteções à gestante.
Desde Quando a Estabilidade é Válida?
A estabilidade da gestante começa assim que a gravidez é confirmada por exame ou laudo médico, mesmo que você ainda não tenha avisado o patrão. O direito passa a existir no momento em que a gestação começa, não só depois de contar para a empresa.
Resumo dos Prazos:
- Início: Data do exame, laudo ou ultrassom confirmando a gravidez.
- Fim: Cinco meses após o parto (contados pela data de nascimento do bebê).
Como Funciona a Estabilidade no Trabalho?
Durante esse período, a empresa não pode te demitir sem motivo grave. Veja quando a estabilidade se aplica:
- Contrato comum de CLT: Carteira assinada “normal”.
- Contrato de experiência: Começou há pouco tempo? Não importa, também está protegida.
- Trabalho temporário ou prazo determinado: Mesmo nesses casos, a maior parte dos juízes entende que o direito existe.
- Afastamento por atestado médico da gestação: Ficou doente, precisou se afastar? Ainda assim, a empresa não pode te demitir.
Caso a empresa demita sem justa causa, ela deve:
- Reintegrar: Trazer você de volta ao trabalho, pagando os salários e benefícios perdidos.
- Indenizar: Se for impossível voltar, você deve receber todo o valor referente ao tempo da estabilidade, como salários, FGTS, férias e 13º proporcionais.
Estabilidade Após Licença-Maternidade: Como Fica?
A licença-maternidade normalmente dura 120 dias (4 meses). No entanto, a lei garante que a estabilidade no emprego vai até cinco meses após o parto. Significa que, mesmo depois que a licença acaba e você volta ao trabalho, a demissão continua proibida até terminar esse prazo extra.
| Fase | Direito Garantido | Tempo de Proteção |
|---|---|---|
| Gravidez | Estabilidade no emprego + consultas/exames garantidos | Desde a confirmação até o parto |
| Licença-maternidade | Salário-maternidade | 120 dias após o parto (pode ser maior) |
| Volta ao trabalho | Estabilidade continua | Até completar 5 meses após o parto |
Direitos Garantidos Durante a Estabilidade
- Não pode ser demitida sem justa causa: Só com motivo grave comprovado, nunca “por vontade da empresa”.
- Receber salário normalmente: Inclusive adicionais, horas extras e benefícios de costume.
- Depósitos de FGTS e INSS em dia: Esses descontos devem ser feitos até o último mês da estabilidade.
- Férias e 13º salário proporcionais: Garantidos tanto para afastamento quanto se houver indenização.
- Licença-maternidade de pelo menos 120 dias: Pode ser maior se a empresa participar de programas oficiais (“Empresa Cidadã”).
- Direito a acompanhamento médico: Pode faltar a consultas e exames sem desconto (mínimo de 6 atendimentos obrigatórios).
- Ambiente de trabalho seguro: A empresa precisa adaptar as tarefas se necessário para proteger a mãe e o bebê.
Em Quais Casos a Gestante Pode Ser Demitida?
Existem poucas situações em que a lei autoriza a demissão da gestante durante o período de estabilidade:
- Pedido de demissão: Se for sua vontade sair do emprego, faça sempre tudo por escrito, de preferência na presença do sindicato ou do Ministério do Trabalho, para evitar dúvidas ou problemas futuros.
- Justa causa: Só em caso de falta MUITO grave, como roubo, agressão física, embriaguez, entre outros (esses precisam ser comprovados com provas concretas, não basta acusação da empresa).
- Contrato temporário muito específico: Mesmo assim, a maioria dos casos recebe estabilidade. Mas, se for uma situação especial, procure um advogado para avaliar seu caso.
Situações que NÃO são motivo para demissão de gestante:
- Desempenho ruim: Mesmo que a empresa reclame do serviço, não pode demitir nesta fase.
- Redução de quadro ou crise financeira: A empresa não pode te “colocar na lista” de cortes só por isso.
- Motivo pessoal da empresa: Não existe justificativa nesse caso.
Como Comunicar a Gravidez à Empresa?
Embora não seja obrigatório avisar imediatamente, comunicar a empresa ajuda a proteger seus direitos e evitar problemas. Aqui vai um passo a passo simples:
- Converse com a chefia ou RH: Entregue um atestado médico com o resultado do exame ou ultrassom.
- Peça assinatura de recebimento: Entregue uma cópia do atestado e peça para assinarem “ciente”. Guarde uma via! Se for digital, salve a resposta.
- Anote data e detalhes: Registre quando e para quem foi comunicado, até por WhatsApp ou e-mail.
E se Descobrir a Gravidez Após Ser Demitida?
Muita gente só descobre que está grávida depois de perder o emprego. Mesmo assim, o direito à estabilidade continua garantido desde que a data da concepção seja anterior ao desligamento. Veja como agir:
- Conserte a data: Procure um médicos, faça exames ou ultrassom que comprovem que você já estava grávida quando foi mandada embora. Peça informações por escrito.
- Notifique a empresa: Ligue, mande e-mail ou WhatsApp (guarde as provas).
- Peça retorno ao trabalho: Solicite a chamada “reintegração”. Se a empresa negar ou enrolar, busque rapidamente orientação jurídica.
Qual o Valor da Indenização em Caso de Não Reintegração?
Se a empresa não aceita reintegrar (voltar você para o trabalho), a justiça costuma condenar ao pagamento de todos os salários e direitos que você teria recebido durante a estabilidade. Pode receber também férias, 13º, FGTS depositado, benefícios e até valores extras por dano moral se houve humilhação ou assédio.
Entenda com um exemplo prático:
- Demitida grávida de 3 meses: Mandada embora em 1/3, parto previsto em 1/9. Estabilidade encerraria em 1/2 do ano seguinte.
- Descobriu e avisou a empresa em 15/3.
- Não voltou ao trabalho: Direito de receber tudo como se estivesse ativa do dia da demissão até o encerramento da estabilidade, incluindo salários, FGTS, férias, 13º salário, aportes em INSS, etc.
Multas e Consequências para a Empresa
Se a empresa nega a estabilidade, pode ser condenada a:
- Reintegração obrigatória no emprego: Justiça manda readmitir a gestante imediatamente.
- Pagamento de todos os salários e benefícios do período: Inclui tudo que teria direito se não tivesse sido demitida.
- Multa e processo por dano moral: Se houve humilhação, perseguição ou discriminação.
- Multa trabalhista e previdenciária: Órgãos públicos podem multar a empresa.
Principais Direitos e Deveres Resumidos (Tabela Rápida)
| Direito | Como Funciona |
|---|---|
| Estabilidade no emprego | Desde confirmação da gravidez até 5 meses após o parto |
| Não pode ser demitida sem justa causa | Só motivo grave e comprovado permite a dispensa |
| Salário/benefícios/FGTS | Pagos normalmente até o fim da estabilidade |
| Licença-maternidade | Pelo menos 120 dias, podendo ser maior |
| Direito a faltar para exames | Pelo menos 6 consultas sem desconto |
Perguntas Frequentes Sobre Estabilidade da Gestante
Como funciona a estabilidade da gestante no trabalho?
Começa com o exame positivo de gravidez. Ninguém pode te demitir sem justa causa até completar cinco meses do nascimento do bebê – nem mesmo em contrato de experiência.
O que diz a CLT sobre estabilidade após licença-maternidade?
Que você continua protegida no emprego até 5 meses depois do parto, mesmo depois de retornar da licença.
Em quais casos a gestante pode ser demitida?
Apenas em falta grave (justa causa real e comprovada) ou se pedir para sair, de próprio desejo e com tudo formalizado.
Trabalhadoras informais ou sem registro também têm direito?
Quem trabalha sem carteira assinada pode ter outros direitos (como salário-maternidade pelo INSS), mas não tem estabilidade. Porém, se provar vínculo empregatício, é possível rever na justiça!
Servidora Pública Gestante: Tem Diferença?
Sim, servidoras públicas também têm direito à estabilidade. As regras seguem a Constituição e o entendimento dos tribunais, protegendo desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, seja estatutária (regida por estatuto) ou celetista (CLT).
Principais Recomendações para Gestantes
- Faça tudo por escrito: Seja a comunicação da gravidez, afastamentos ou pedidos – sempre registre e guarde cópias.
- Não assine papéis em branco ou cartas de “pedido de demissão” sem ler ou por pressão.
- Procure orientação do sindicato ou advogado: Se houver ameaça, demissão ou qualquer dúvida sobre seus direitos.
- Guarde todos os exames, laudos, protocolos: Eles são suas provas!
- Não se cale diante de injustiças: Compartilhe informações e defenda seu direito, por você e por outras mulheres.
Resumo Final: Por Que Conhecer Esses Direitos?
Estar informada faz toda a diferença. Conhecer e exigir a estabilidade da gestante protege a sua saúde, a do seu bebê e garante um futuro mais seguro. Não deixe de buscar informações, registrar toda comunicação com o empregador e, em caso de dúvida, brigar pelo que é seu.
Você conhece alguma gestante passando por essa situação? Compartilhe este artigo e ajude outras mulheres a garantir seus direitos!









