Introdução
Você é pintor industrial, predial ou automotivo? Usa tintas e solventes quase todos os dias? Se respondeu sim, saiba que esse contato pode colocar sua saúde em risco. E é justamente por isso que existe o adicional de insalubridade — um direito garantido para quem trabalha sob condições perigosas. Mas quando, de fato, ele é devido para pintores? Quais as leis que protegem você? Como exigir esse adicional se o patrão não paga? Aqui você vai entender tudo de um jeito simples, com exemplos reais e orientações práticas para não perder nenhum direito.
Quem trabalha com tinta solvente tem direito à insalubridade?
Sim, trabalhadores que lidam habitualmente com solventes presentes em tintas, como hidrocarbonetos, tolueno, xileno e outros produtos químicos, podem ter direito ao adicional de insalubridade — mas há regras para isso.
- Exposição frequente e permanente: Não basta apenas mexer com tinta de vez em quando. Tem que ser uma exposição constante, que faça parte da sua função, todos os dias de trabalho.
- Avaliação técnica obrigatória: Precisa de uma análise feita por perito especializado, contratada pelo patrão ou determinada pela Justiça do Trabalho, para comprovar que a exposição passa dos limites considerados seguros.
A legislação deixa claro na Norma Regulamentadora NR 15: atividades com exposição além dos limites de tolerância e sem proteção suficiente dão direito ao adicional de insalubridade.
Por isso, o direito só é reconhecido se ficar comprovado por um laudo técnico, depois de análise cuidadosa da rotina, do ambiente e dos produtos usados pelo pintor.
O que diz a súmula 448 sobre esta insalubridade?
A Súmula 448 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) é referência em decisões judiciais sobre o assunto. Ela determina que o adicional só é devido se o laudo pericial comprovar a exposição habitual a agentes insalubres. Ou seja, a perícia é indispensável.
“O adicional de insalubridade, em regra, é devido apenas se houver laudo pericial demonstrando a exposição do trabalhador ao agente nocivo. Se os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) forem capazes de eliminar ou neutralizar o risco, o adicional não é devido.”
Em resumo: é preciso perícia e, caso fique provado que EPIs eficientes resolvem o problema, o adicional pode ser negado mesmo com contato com tinta.
Qual NR fala sobre tintas e solventes?
A principal regra é a Norma Regulamentadora NR 15, do Ministério do Trabalho e Emprego, que trata de situações insalubres para quem lida com agentes químicos. Alguns pontos importantes:
- Define limites de tolerância: Quantidade máxima de produto químico com a qual o trabalhador pode ter contato sem prejudicar a saúde;
- Aponta necessidade de avaliação ambiental: Medir se o ambiente está dentro ou fora dos padrões seguros;
- Obriga uso efetivo de EPIs para neutralizar ou diminuir o risco: Máscaras adequadas, luvas, avental, óculos de proteção, etc.
Além da NR 15, outras regras também ajudam a proteger o trabalhador:
- NR 6: Fala sobre os detalhes dos EPIs (equipamentos de proteção individual) e o dever do empregador em fornecer, treinar e fiscalizar seu uso.
- NR 7: Obriga a empresa a ter controle médico ocupacional: exames periódicos e acompanhamento da saúde do trabalhador.
O thinner é insalubre?
Sim, o thinner é um dos solventes orgânicos mais perigosos usados por pintores. Ele tem substâncias que, se inaladas ou tocadas frequentemente, podem causar doenças graves, como problemas no fígado, rins, sistema nervoso e risco até de câncer.
Trabalhar manuseando thinner sem proteção adequada quase sempre é considerado uma atividade insalubre pela Justiça. Mas para garantir o direito, o trabalhador precisa que um perito comprove a exposição acima dos limites de tolerância estipulados pelas normas.
Como se caracteriza a insalubridade para pintores expostos a solventes?
Para a Justiça do Trabalho, são três as principais “provas” que o pintor precisa apresentar:
- Exposição comprovada: Precisa mostrar que a função é pintar ou manipular tintas e solventes nocivos praticamente todo dia.
- Perícia técnica: Apenas um profissional habilitado (engenheiro de segurança, técnico em segurança ou médico do trabalho) pode fazer a medição correta dos riscos, do grau de insalubridade e se os EPIs fornecidos realmente protegem.
- Eficiência dos EPIs: Se o patrão conseguir provar, com documentos e laudos, que o EPI usado é de boa qualidade, está conservado e recebe o treinamento certo, o adicional pode ser indeferido. Mas atenção: só a entrega não basta, precisa ser usado corretamente e durante o tempo todo do serviço.
O perito costuma analisar:
- Tempo de exposição diária, semanal e anual;
- Tipos de produto utilizados pelo pintor;
- Se o ambiente é aberto, fechado, bem ventilado ou não;
- Se há sintomas de intoxicação (enjoo, sonolência, tontura, cansaço, dor de cabeça frequente ou outros problemas de saúde);
- Condições e uso dos EPIs (máscara, luvas, roupas especiais etc.);
- Treinamento do trabalhador para usar a proteção;
- Documentação médica e de controle ambiental.
Em caso de dúvida, a perícia judicial resolve, pois a palavra do perito costuma “valer ouro” no julgamento do processo.
Quando a insalubridade NÃO é reconhecida?
- Exposição eventual: Quando o contato com o solvente é esporádico, não faz parte da função principal ou acontece raramente.
- EPI eficiente e bem utilizado: Se a empresa comprovar (com documentos, treinamentos e fiscalização constante) que forneceu os melhores equipamentos e supervisionou seu uso de verdade, pode afastar o direito ao adicional.
- Ambiente seguro e ventilado: Se houver exaustores potentes, ventilação cruzada eficiente e medições de ar mostrando que os níveis de solvente ficam abaixo dos limites legais, o risco é considerado eliminado.
Quais são os agentes químicos mais comuns nas tintas e solventes?
- Hidrocarbonetos aromáticos: Benzeno, tolueno, xileno (provocam intoxicação e afetam o sistema nervoso e respiratório).
- Derivados de petróleo: Algumas tintas e solventes têm componentes altamente tóxicos.
- Compostos orgânicos voláteis (VOC): Facilitam a evaporação, poluem o ar do ambiente, aumentam o risco de doenças.
- Thinners e similares: Todos têm potencial para causar insalubridade.
- Compostos metálicos: Chumbo, cromo e outros metais pesados podem aparecer em pigmentos de certas tintas, agravando ainda mais o risco.
Como é feito o cálculo do adicional de insalubridade?
O adicional é definido em porcentagem sobre o salário mínimo nacional, nunca sobre o salário-base do trabalhador. Entenda a tabela de cálculo:
| Grau de Insalubridade | Percentual Sobre Salário Mínimo |
|---|---|
| Mínimo | 10% |
| Médio | 20% |
| Máximo | 40% |
O grau é decidido pela gravidade do ambiente e do contato com o produto. Pintores geralmente conseguem enquadramento médio ou máximo (20% ou 40%), dependendo do tipo de solvente, do ambiente, forma de aplicação e proteção oferecida.
Como o pintor pode exigir o adicional de insalubridade?
Se o patrão não paga e você acredita ter direito, siga esses passos:
- Notifique o empregador por escrito: Peça formalmente (vale até mensagem no WhatsApp ou e-mail), solicitando a avaliação do ambiente e o pagamento do adicional.
- Procure o sindicato: Eles costumam ajudar a negociar diretamente ou podem convocar fiscalização do Ministério do Trabalho.
- Busque orientação de advogado trabalhista: Se nada funcionar, entre com ação na Justiça do Trabalho.
No processo, será solicitada uma perícia técnica para constatar a insalubridade. É importante separar o maior número possível de provas antes de falar com o advogado.
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Quais provas aumentam as chances de sucesso?
- Fotos e vídeos do ambiente: Mostre como são feitas as pinturas, as condições do local, se EPIs são usados ou não, e se há ventilação suficiente.
- Laudos de saúde ocupacional: Exames médicos que comprovem sintomas ou doenças relacionadas ao trabalho.
- Documentação dos EPIs: Fichas de entrega, treinamentos, recibos, datas e assinaturas — quanto mais detalhado, melhor.
- Declarações de colegas de trabalho e supervisores: Testemunhos escritos ou gravados valem como prova.
- Histórico médico: Prontuários, atestados e exames que mostrem intoxicação, alergias ou outros problemas causados pelos produtos usados.
E lembre: é possível pedir tudo o que deixou de receber nos últimos cinco anos. Não deixe passar!
Casos reais: exemplos de decisões judiciais
- Pintor industrial em área ventilada: Mesmo em local aberto, ganhou o adicional, porque a perícia encontrou altos índices de solventes no ar e comprovou falha dos EPIs.
- Pintor predial sem máscara adequada: Teve direito ao adicional, pois estava exposto de maneira contínua a tolueno e outros químicos perigosos.
- Pintor automotivo em cabine fechada: Não recebeu o direito, pois a cabina tinha filtragem moderna e os EPIs eram realmente eficazes.
Essas situações mostram que cada caso é único: tudo depende do tipo de produto, do ambiente de trabalho e, principalmente, da perícia técnica.
Dicas práticas para proteger seus direitos
- Anote absolutamente tudo: Quais tintas, solventes e marcas você usa, quanto tempo fica exposto, em que ambientes trabalha.
- Denuncie falta ou falha de EPI: Se luvas, máscaras ou roupas não são fornecidas ou não funcionam corretamente, alerte seu sindicato ou tire foto como prova.
- Procure sempre o médico do trabalho: Informe os sintomas e peça exame detalhado (leve uma anotação dos produtos usados, se possível!).
- Guarde documentos importantes: Fichas, exames, fotos, e-mails e mensagens — tudo pode ser útil.
- Busque ajuda profissional: Procure advogado trabalhista para organizar suas provas e aumentar as chances de vitória.
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Resumo em perguntas e respostas
| Pergunta | Resposta rápida |
|---|---|
| Quem trabalha com tinta solvente tem direito à insalubridade? | Sim, se a exposição for frequente, não houver proteção suficiente e laudo técnico comprovar o risco. |
| O que diz a súmula 448 sobre esta insalubridade? | Exige laudo pericial para garantir o direito e prevê o afastamento se EPIs acabarem com o risco. |
| Qual NR fala sobre tintas e solventes? | NR 15, que define os limites e critérios de risco químico e insalubridade. |
| O thinner é insalubre? | Sim, e quase sempre dá direito ao adicional, dependendo do laudo profissional. |
Conclusão
O adicional de insalubridade é um direito de quem põe a saúde em risco para levar o sustento para casa. Pintores expostos a solventes como thinner, tolueno e outros produtos perigosos precisam conhecer a fundo seus direitos e formas de se proteger. Se você trabalha nessas condições, reúna provas, guarde documentos, denuncie irregularidades e procure apoio. Não aceite consequências para sua saúde sem a devida compensação!
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